“Indicadores e retorno de investimentos em CT&I” é o tema da primeira sessão plenária do último dia do Innovation Summit Brasil

O terceiro dia do Innovation Summit Brasil 2019 foi aberto com a sessão plenária que tratou sobre o retorno dos recursos aplicados em Ciência, Tecnologia e Inovação. O painel foi moderado pelo presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Luiz Davidovich, e teve como participantes o vice-presidente de inovação e desenvolvimento econômico da King Abdullah University For Science And Technology (KAUST), da Arábia Saudita, Kevin Cullen, e o economista sênior do Banco Mundial, Xavier Cirera.

Os investimentos, tanto públicos como privados, em CT&I devem ser avaliados quanto ao seu impacto e retorno para a sociedade. A sessão plenária discorreu sobre a importância das métricas para comprovar o papel da transferência de tecnologia e do empreendedorismo no PIB dos países e de diferentes metodologias para essa avaliação.

Ao longo dos anos, as instituições têm realizado diversos esforços para mensurar os resultados de pesquisa e impacto, no entanto, a complexidade do termo ‘impacto’ agrega múltiplos fatores que tornam a tarefa de medir esses resultados mais complicada. Para Kevin Cullen, mensurar o impacto é uma jornada caótica. “Avaliar o impacto das pesquisas na economia é um problema que todos querem resolver, isso é bom e ruim ao mesmo tempo, pois se por um lado há muitas pessoas trabalhando nisso, por outro ainda não conseguimos uma resposta. Os resultados são imprevisíveis, aleatórios e vêm a longo prazo, por isso é tão difícil de medi-los”.

Em seguida, Xavier Cirera apontou os desafios presentes no Brasil, no sentido de mensurar os impactos em CT&I na economia e na sociedade, e seu papel para estruturar melhores políticas. “Temos três questões críticas no país quando se trata de retorno em recursos aplicados em inovação, que envolvem problemas em medir alguns dos inputs e outputs de CT&I, como em produtos e processos inovadores ou adoção de tecnologias, dificuldade de mensurar todos os impactos externos e spillovers, além dos impactos socioeconômicos e, por último, a necessidade explicar a heterogeneidade dos retornos e sua eficiência”.

Em relação às métricas a serem analisadas, ambos acreditam que ainda não há um consenso sobre quais os itens devem ser considerados para medir a efetividade dos retornos de investimento em CT&I. Cullen afirma que “ainda há muitos órgãos que utilizam como base o número de licenças e patentes, e isso é ineficiente, pois todo o sistema deve ser avaliado e muito se perde ao se restringir a esses aspectos”. Em complemento, Cirera questiona “será que estamos medindo bem o que nós queremos? Eu acredito que acertamos em alguns pontos e erramos em outros. Em P&D e empreendedorismo, por exemplo, eu acredito que já está sendo feito um bom trabalho, porém, em produtos e processos de inovação, colaboração entre indústria e universidades e em adoção de tecnologia ainda há muito o que fazer para melhorar, pois são áreas mais abstratas de se mensurar”.

Para finalizar, Cullen afirma que as universidades tem um papel importante para geração de impactos. “As universidades não criam impacto, as pessoas dizem que as pesquisas têm um impacto, mas, na verdade, a missão da universidade é ajudar as pessoas a criarem impacto, seja startups, empreendedores, institutos e outros atores”, finaliza.